Mulheres na Segunda Guerra Mundial: algumas notas

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Maria Thaislayne dos Santos Lino

Graduanda em História

Universidade Federal de Sergipe

Integrante do Grupo de Estudo do Tempo Presente (GET) e do Projeto de Pesquisa “O “Pearl Harbor brasileiro”: o cotidiano em Sergipe na Segunda Guerra (1942-1945), apoiado pelo Edital Universal CNPq/2018

Orientador: Dilton C. S. Maynard

E-mail: maria@getempo.org

As guerras são períodos de medo e insegurança. Nelas, as pessoas são afetadas diretamente, passando a experimentar uma sensação constante de viverem sob um teto de vidro que irá desabar a qualquer momento. Já os que estão mais afastados do conflito, possuem uma falsa sensação de que nada de ruim os atingirá. Porém, os efeitos durante o conflito transformaram o cotidiano de vários sujeitos. Nas muitas guerras que a humanidade experimentou, as mulheres não escaparam dessa dura realidade.

Em Sergipe, por exemplo, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), as mulheres consideradas verdadeiras patriotas deveriam fazer parte da chamada Legião Brasileira de Assistência (LBA), criada em 28 de agosto de 1942 com o objetivo de assistir às famílias dos soldados convocados, atuando em nível nacional, estadual e municipal.

Na época, a Legião foi comissionada por Darcy Sarmanho Vargas, a então “Primeira Dama” da República. Já em Sergipe, a presidência da comissão estadual ficou a cargo de Helena Nobre Maynard Gomes, esposa do interventor federal Augusto Maynard Gomes.

Na LBA, o papel da mulher era principalmente obter doações que variavam desde lençóis e fronhas (todas no mesmo padrão), sendo iguais em tamanho e tecido; até mesmo organizar cestas básicas para as famílias dos soldados.

Enquanto nos países estrangeiros as mulheres eram colocadas em postos desocupados pelos homens que estavam na guerra, no Brasil elas passaram a ajudar na assistência social. Porém, era incentivado que as brasileiras deveriam seguir os passos das estrangeiras, como foi mostrado em notícia publicada pelo jornal Folha da Manhã, de Aracaju, em 28 de setembro de 1942. O periódico salientava a importância dos sorrisos constantes e apontava o patriotismo das estrangeiras ao pilotarem aviões ou, até mesmo, nas fábricas trabalhando no preparo de material bélico.

A “imitação” deveria ocorrer até mesmo na forma de se vestir, já que diversos materiais acabaram se tornando escassos por conta do momento, os tecidos passaram a ser uniformes e de qualidade inferior ao que elas estavam acostumadas. Contudo, é possível observar que as notícias chegavam sempre com detalhes e postura espartanos, nunca deixando de lado formas de demonstrar que a militarização da população seria o ideal para aquele momento de guerra.

Em meio aos registros disponíveis, a postura assumida pelos jornais nos leva a pensar o papel da mulher em um momento tão delicado como a Segunda Guerra. A forma como ela ocupou lugares até então exclusivos aos homens, demonstrando como um momento como esse muda diretamente o cotidiano da sociedade.

Porém, também é possível identificar a constante comparação das mulheres brasileiras com as estrangeiras que também estavam sob uma névoa de dor e tragédia. Os jornais deram muito destaque aos feitos dos soldados, dos políticos, dos homens no comando. No entanto, quantas experiências incríveis de feitos das mulheres foram apenas deixadas de lado e esquecidos em meio ao caos e sofrimento? Será que um dia saberemos?

Originalmente publicado em https://infonet.com.br/blogs/mulheres-na-segunda-guerra-mundial-algumas-notas/ 18/08/2020.

Sobre a Imagem:

Alzira Vargas (ao centro) sendo cumprimentada, durante uma distribuição de presentes na Liga Brasileira de Assistência (LBA) em 1942. Fonte: http://fgv.br/cpdoc/acervo/arquivo-pessoal/AVAP/audiovisual/alzira-vargas-do-amaral-peixoto-ernani-amaral-peixoto-e-getulio-vargas-em-diferentes-eventos-oficiais-e-sociais

Para saber mais:

SILVA, Naédja da; MAYNARD, Dilton Cândido santos. A Legião Brasileira de Assistência na Segunda Guerra Mundial (1942-1945). Boletim Historiar, Aracaju, vol. 05, n.1, p.13-29, jan./marc.. 2019. Disponível em : < http://seer.ufs.br/index.php/historiar >. Acesso em: 09 jul. 2019.


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