08 de julho e os 201 anos que celebram a trajetória de um povo

Professor Doutor Paulo Roberto Alves Teles
@prof_pauloteles
pauloteles_aju@hotmail.com

Fonte: https://www12.senado.leg.br/radio/1/conexao-senado/2020/07/08/dedo-de-prosa-200-anos-da-emancipacao-politica-de-sergipe

08 de julho. O ano é 2021 e o estado de Sergipe celebra 201 anos da conquista de sua independência. Alcançada após anos de tensões e disputas contra as elites baianas, a consolidação do processo de independência da província, hoje estado, de Sergipe se deu como retribuição do rei D. João VI, devido à lealdade dos sergipanos por não terem aderido ao movimento emancipacionista conhecido como Revolução Pernambucana de 1817.

Evidentemente, a independência de Sergipe não foi realizada em um ato e foi necessária a persistência do povo e das lideranças políticas locais para a concretização do nosso movimento emancipacionista, uma vez que Carlos César Burlamaqui (escolhido como 1º presidente da província sergipana) foi deposto e preso por forças advindas da Bahia, que se recusaram a aceitar a nossa separação. E, aqui, a história sergipana se entrelaçou ao próprio processo de independência do Brasil.

Em 1820, iniciou-se, a Revolução Liberal do Porto (Portugal). Insatisfeitas com as transformações ocorridas após a transferência da Família Real portuguesa para o Brasil, as Cortes Constituintes defendiam a revogação de uma série de medidas realizadas durante o período joanino (1808-1820). Além disso, também defendiam a recolonização do Reino do Brasil o que, para a província de Sergipe, poderia significar a anulação da sua própria independência, em relação à Bahia.

Portanto, opor-se às Cortes Constituintes significaria, para as forças sergipanas, defender a sua própria autonomia e, por isso, não restou aos sergipanos outra opção a não ser aderir às guerras de independência desferidas após a declaração do dia 07 de setembro. Defender a emancipação brasileira significava também apoiar a própria autonomia almejada pelas forças locais. Assim sendo, foi somente no dia 05 de dezembro de 1822 que a emancipação sergipana foi finalmente efetivada.

A independência de um povo se dá a partir do reconhecimento da sua própria identidade. Sim, somos sergipanos e fazemos questão de sê-lo. A menor unidade federativa; todavia, pequena apenas em sua extensão territorial. Não tecerei aqui proselitismos sobre os nossos representantes ou símbolos. Opto pelos anônimos que, ao longo de vários anos, construíram uma sociedade que abrigou histórias de construção e reconstrução, de resistência e transformação, de criarmos a possibilidade de superar forças muito mais poderosas e até mesmo de transformar a natureza para abrigar sergipanos e sergipanidades.

Está no nosso DNA a capacidade de subverter as adversidades e de construir caminhos para as gerações que aqui nascerem ou optarem por viver. São 201 anos de luta, de história e de um povo que, com muita dignidade, à nada se submete.

Originalmente publicado em: https://infonet.com.br/blogs/08-de-julho-e-os-201-anos-que-celebram-a-trajetoria-de-um-povo/ em 09/07/2021


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