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O Dia D em Aracaju

Paula Tavares de Souza Santos
Graduada em História (UFS)
Integrante do Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/UFS/CNPq)
E-mail: paula@getempo.org

Em 6 de junho de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), as forças Aliadas desembarcaram nas praias da Normandia, região ocupada pela Alemanha nazista. A operação que mobilizou milhares de soldados, navios e aeronaves, tinha como objetivo abrir uma nova frente de combate e iniciar a retomada da Europa ocupada. Entre bombardeios, desembarques e intensos combates, o chamado Dia D tornou-se um dos momentos decisivos do conflito.

Embora estivesse distante do campo de batalha, a população de Aracaju acompanhou atentamente as notícias pelo rádio e pelos jornais. As informações chegavam mediadas por agências internacionais, como a United Press e a Reuters. Via telegramas, elas abasteciam a imprensa local com notícias que seriam difundidas aos citadinos.

A notícia do desembarque provocou entusiasmo entre os aracajuanos. Comerciantes interromperam suas atividades, moradores se concentraram nas ruas e bares e cafés tornaram-se espaços de discussão sobre o conflito. Em uma dessas ocasiões, frequentadores do Bar Record, localizado na rua João Pessoa, comemoraram a vitória dos Aliados. O ambiente de euforia foi registrado pelo Correio de Aracaju, em 6 de junho de 1944, que descreveu a reação dos presentes à abertura da Segunda Frente: “Abertura da segunda frente é a vitória da democracia”.

A frase logo foi acompanhada pela manifestação de Afonso Pinto, funcionário público federal, que, segundo o repórter, “levantou-se e nos abraçou”, afirmando: “A segunda frente é a realização do anseio dos democratas sinceros”. Na sequência, João Vieira de Aquino, tomado pelo entusiasmo, “dá um murro na mesa” e exclama: “Vibram os homens livres!”. Diante de tamanha euforia, o próprio repórter confessou estar “atônito”, pois “não imaginava aquela blitzkrieg de respostas”.

A nota publicada pelo jornal oferece um registro da repercussão do Dia D na cidade, ao mesmo tempo em que aproxima os citadinos dos acontecimentos da guerra. Além disso, o jornal também associa com o termo militar blitzkrieg, a chamada guerra-relâmpago, para descrever a rapidez da difusão das notícias e como elas repercutiram em Aracaju.

O Aeroclube de Sergipe não deixou de prestar suas homenagens naquele momento. Também segundo o Correio de Aracaju, no dia 7 de junho de 1944, os pilotos da instituição realizaram uma exibição aérea e “desfilaram pelos nossos céus, em formação alegórica do ‘V’ da vitória, saudando o ‘dia’ com suas evoluções sinuosas”. Além disso, a recepção do acontecimento também apareceu nas páginas dos periódicos em textos jornalísticos, artigos de opinião e até mesmo em poemas que associavam o avanço dos Aliados à esperança de que o conflito estivesse próximo do fim.

Como se pode perceber, a repercussão do Dia D em Aracaju não se limitou à difusão de informações, mas também foi apresentada como o prenúncio do fim da guerra. Nas ruas, nos jornais e rádios, as notícias do avanço aliado eram percebidas como sinais para dias melhores, oferecendo uma demonstração de como um acontecimento de dimensão mundial foi sentido e o quanto ele repercutiu no cotidiano aracajuano.

Originalmente publicado em: https://infonet.com.br/blogs/getempo/odiademaracaju/ em 27/08/2026


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