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Marilyn Monroe: 100 anos de um mito que continua vivo

Prof.ª Dr.ª Andreza Maynard
Universidade Federal de Sergipe
Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/UFS/CNPq)

Em 2026, o mundo celebra o centenário de uma das personalidades mais conhecidas da história do cinema. Nascida em 1º de junho de 1926, em Los Angeles, como Norma Jeane Baker, Marilyn Monroe teve uma infância marcada por dificuldades e instabilidade familiar. Durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto trabalhava em uma fábrica, foi descoberta por um fotógrafo e iniciou uma carreira que a transformaria em um dos maiores ícones do século XX. Sua morte precoce, em 1962, aos 36 anos, comoveu o mundo. Mais de seis décadas depois, continuamos falando sobre ela. Mas por quê?

Nos anos 1950, Marilyn tornou-se um dos maiores nomes da indústria do entretenimento. Filmes como Os Homens Preferem as Loiras (1953), O Pecado Mora ao Lado (1955) e Quanto Mais Quente Melhor (1959) consolidaram sua popularidade junto ao público. Embora frequentemente associada ao estereótipo da “loira sensual”, construído e explorado pelo sistema de estúdios de Hollywood, ela demonstrou talento cômico, presença de cena e dedicação ao trabalho de atriz. Ao longo da carreira, buscou reconhecimento artístico em uma indústria marcada por desigualdades e preconceitos de gênero.

Marilyn também foi pioneira ao reivindicar maior autonomia sobre sua trajetória profissional. Em uma época em que poucas mulheres tinham voz nos grandes estúdios, enfrentou produtores, negociou contratos e fundou sua própria produtora. Sua postura abriu caminhos e se tornou referência para gerações posteriores de atrizes que passaram a reivindicar maior controle sobre suas carreiras.

A presença de Marilyn Monroe ultrapassou as telas de cinema e alcançou também a literatura brasileira. Em A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, a personagem Macabéa não sabia o que era felicidade, mas sonhava em ser a artista de Hollywood. Ela era fã da atriz e acreditava que tudo em Marilyn era perfeito. A admiração de Macabéa pela estrela de Hollywood revela a força simbólica da atriz, capaz de inspirar sonhos mesmo em contextos sociais marcados pela exclusão e pela pobreza.

Entretanto, a própria atriz deixou escapar frases como “a imperfeição é bela” e “Debaixo da maquiagem e por trás do meu sorriso, eu sou apenas uma garota que deseja o mundo”. Marilyn, que havia sido transformada em ídolo de consumo e alcançara uma fama extraordinária, dava sinais de que continuava sendo uma mulher que buscava reconhecimento, afeto e realização pessoal.

Continuamos falando sobre Marilyn Monroe porque, por trás do mito, permanece uma história profundamente humana. Cem anos após o seu nascimento, sua influência continua evidente na moda, na publicidade, na música, no cinema e até mesmo nas redes sociais. Mais do que uma celebridade, Marilyn representa os sonhos, desafios e contradições da fama. Seu legado confirma que algumas estrelas não pertencem apenas ao seu tempo, tornam-se símbolos duradouros da cultura e da memória coletiva.

Para saber mais:

LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1998.

MORIN,  Edgar. As estrelas: mito e sedução no cinema.  Rio  de  Janeiro: José  Olympio Editora, 1989.

Originalmente publicado em: https://infonet.com.br/blogs/getempo/marilyn-monroe-100-anos-de-um-mito-que-continua-vivo/ em 04/06/2026


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