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O Despertar da Crítica: O Cinema Aracajuano em 1950

Victor Emanoel Lima de Oliveira
Graduando em História (DHI/UFS)

As transformações no cinema de Aracaju entre as décadas de 1940 e 1950 revelam a transição de um espaço de propaganda de guerra para um centro de agitação cultural. Nos anos 40, a experiência de ir ao cinema era marcada principalmente pelo impacto da Segunda Guerra Mundial, especialmente após os torpedeamentos de navios no litoral sergipano em 1942. Salas como o Rio Branco, Rex, Vitória e Guarany deixaram de ser apenas locais de entretenimento para se tornarem janelas de informação sobre o conflito.

Já em 1950, um novo fôlego foi dado às salas. Com o fim da guerra, os temas se diversificaram e as produções europeias retornaram às telas, trazendo estéticas diferentes do padrão hollywoodiano. Embora os filmes de guerra continuassem em cartaz, o público demonstrava um amadurecimento crítico, assumindo uma postura mais ativa.

Essa mudança de comportamento impulsionou o movimento cineclubista que, embora tivesse projetos anteriores pelo Brasil, foi explodir verdadeiramente nos anos 50. Em Sergipe, o fenômeno se consolidou em 1952 com o surgimento do CICLA (Cine Clube de Aracaju), um dos primeiros espaços dedicados à reflexão e à discussão cinematográfica no estado.

Esses espaços fomentaram ainda mais um abandono à passividade da década anterior. A virada local ilustra perfeitamente o que o sociólogo francês Edgar Morin diz, que a qualidade dos filmes e o nome dos diretores assumiram uma importância crescente aos olhos de um público mais diversificado.

A imprensa local manifestava esse novo momento em suas colunas de crítica. Jornais como o A Cruzada questionavam a qualidade das exibições constantemente. A comédia americana Como Agarrar um Milionário (1953), mesmo estrelada por um ícone do cinema da época como a atriz norte-americana Marilyn Monroe (1926-1962), foi ironizada como uma “idiotice americanizada” pelas páginas do jornal sergipano.

Assim, a jornada do cinema em Aracaju nessas duas décadas reflete uma mudança profunda na identidade cultural da capital. O que antes era visto como um local de propaganda sobre a guerra se transformou aos poucos em um palco de debate intelectual sobre a escrita e a estética dos filmes. Os cineclubes não apenas formaram cinéfilos, mas também cidadãos atentos aos discursos que vinham das telas. Essa herança crítica deixou marcas presentes até hoje, na Aracaju atual, provando que o cinema pode ser um poderoso instrumento de transformação social e amadurecimento de uma cidade.

Para saber mais:
MORIN, Edgar. As estrelas: mito e sedução no cinema. Tradução de Luciano Trigo. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989

Originalmente publicado em: https://infonet.com.br/blogs/getempo/o-despertar-da-critica-o-cinema-aracajuano-em-1950/ em 16/07/26


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