A II Guerra Mundial em outras frentes: Uma luta contra a malária

Raquel Anne Lima de Assis
Doutoranda em História Comparada pela UFRJ
Integrante do Grupo de Estudo do Tempo Presente (GET/UFS/CNPq)
Professora substituta da UFRRJ (DH/IM)
E-mail: raquel@getempo.org
Orientador: Dr. Dilton Cândido S. Maynard (UFS/DHI)

A luta contra o mosquito da malária no desenho “The Winged Scourge” (1943).

Em meio aos combates da Segunda Guerra Mundial, a luta não era apenas entre Eixo e Aliados. Havia também uma batalha no campo da saúde pública. Doenças como febre amarela, tifo e malária foram alvos da preocupação de autoridades políticas, médicos e sanitaristas de diversos países.  Foram adotadas medidas com o propósito de erradicar essas doenças, não somente nos teatros de operações, como também em regiões que sofriam com a pobreza.

Uma das formas de combater qualquer doença é através da informação. Tendo isso em vista, a Walt Disney produziu uma série de animações educativas com o objetivo de disseminar medidas de prevenção. Dentre esses filmes, temos The Winged Scourge, lançado em 1943. Nessa película, os Sete Anões da Branca de Neve são “convocados” para nos ensinar como erradicar o mosquito Anopheles, causador da malária, doença que assolou regiões da América Latina, África e Ásia. Assim, além de aprendermos como a doença é transmitida, também são ensinadas maneiras de nos prevenirmos, como: não deixar água parada, capinar regiões alagadiças, injetar inseticidas em locais úmidos e escuros, tampar recipientes com água, usar telas em portas e janelas para evitar a entrada do mosquito na casa, não acumular lixo, entre outras medidas.

Em um tom de guerra contra o mosquito, essa animação fez parte de uma política norte-americana de cooperação com a América Latina, a Política da Boa Vizinhança. O objetivo era evitar a proliferação da influência fascista na região para criar uma zona de segurança pan-americana. A instituição responsável por essa articulação foi o Office of the Coordinator of Inter-American Affairs (OCIAA), órgão criado e coordenado pelo milionário do petróleo Nelson Rockefeller. Através desse departamento, foram estabelecidas relações econômicas, culturais e políticas entre os EUA e a América Latina, com o propósito de impedir o desenvolvimento da influência do Eixo e do antiamericanismo na região.

Um dos campos de atuação do OCIAA foi a saúde. Assim, foi estabelecida parceria entre a Função Rockefeller e governos latino-americanos no combate a doenças. Graças a investimentos, medidas de erradicação da malária e da febre amarela tiveram sucesso em países como o Brasil. Esse serviu como modelo a ser exportado no continente no combate à febre amarela, com o envio de especialistas e técnicos para outros países e treinamento de seu pessoal.

Portanto, observamos três fatores importantes no combate a doenças: informação, investimento e cooperação. Informação porque é uma luta de conscientização para adoção de medidas preventivas. Investimentos são necessários para o desenvolvimento da ciência, que é o meio capaz de fornecer uma cura. Cooperação leva à união entre diversos países para proteger suas fronteiras, pois pouco adianta a imunização de um único território sem evitar que o contágio chegue a outros países.

Originalmente publicado em: https://infonet.com.br/blogs/a-ii-guerra-mundial-em-outras-frentes-uma-luta-contra-a-malaria/ em 24/09/2020.


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