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A reconstrução da vida de sobreviventes do Holocausto no Recife

Guilherme Antunes Barbosa Santana
Graduando em História pela Universidade de Pernambuco
Integrante do Tempo/UPE e Bolsista FACEPE do projeto: “Alteridades: Memória, Migração, Exílio e Direitos Humanos”

Logo do Projeto Alteridades: memória, migração, exílio e direitos humanos

Em contextos marcados por tensões internacionais e pelo recrudescimento de políticas anti-imigração, como aquelas associadas ao ICE (Immigration and Customs Enforcement), responsável por detenções e deportações no segundo governo Donald Trump, torna-se fundamental revisitar trajetórias de indivíduos que, diante de processos de opressão social, conseguiram reconstruir suas vidas em meio a profundas incertezas. É justamente esse exercício de memória que a exposição itinerante do projeto Alteridades: Memória, Migração, Exílio e Direitos Humanos propõe. Em sua montagem expositiva, por meio de totens, o projeto Alteridades apresenta nove trajetórias de judeus perseguidos pelo regime do Terceiro Reich que, em seus processos de fuga e migração, conseguiram escapar, de diferentes maneiras, da perseguição nazista e de suas estruturas de opressão. Ao chegarem ao Recife, esses indivíduos reconstruíram suas vidas e deixaram marcas significativas na luta contra o antissemitismo.

Um exemplo é a história de vida de Szlama Lajb Kano, que no início de sua idade adulta presenciou os horrores da perseguição antijudaica. Ele perdeu sua mãe, presa pela Gestapo, e assumiu a identidade falsa de um cristão falecido para conseguir um posto de trabalho. Após o fim do regime, Szlama entra em contato com seu irmão, que morava no Brasil, e chega a Recife, onde tem seu nome “aportuguesado” e passa a se chamar Salomão Luiz.

Longe de ser um processo casual, a “aportuguesação” encontra no Recife um espaço de afirmação. É ali que a trajetória de Seu Luiz, como fazia questão de ser chamado, e de outros oito sobreviventes se consolida. Suas histórias demonstram a resiliência e a força de vontade de quem, ao escapar da opressão, conseguiu reconstruir a vida e formar família em terras distantes de sua origem. Em um contexto contemporâneo marcado pelo endurecimento de políticas anti-imigração, essas experiências tornam-se ainda mais exemplares. Nesse sentido, ecoa a reflexão proposta por Karl Schurster em seu livro infantojuvenil A casa que cabia no bolso: “Ali, Lua soube: casa não é só onde se nasce; é onde se pode ficar.”

Para saber mais:

SCHURSTER, Karl. A casa que cabia no bolso. Editora Autografia. Recife, 2026.

https://conib.org.br/noticias/todas-as-noticias/40631-exposicao-vai-levar-a-sete-escolas-de-pernambuco-historias-de-imigrantes-perseguidos-pelo-nazismo.html;

https://zenodo.org/records/18382118.


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